sexta-feira, 1 de abril de 2011

Capítulo 1 – A prova de matemática

Acorda... acorda... Ah como você é burra Aline! Não devia ter estudado até tarde ontem. Não consegui dormir a noite toda e ainda acho que não vai adiantar nada! Segunda-feira é horrível sair da cama, dá uma preguiça. E ainda mais sabendo que daqui a algumas horas terei prova de matemática... ah isso me anima tanto!

- Aliiiiiiiiiiiiinnnnnnneeeeeeeeee, para de sonhar menina, vai perder a hora da escola.

- Já vou mãe.

Minha mãe é superprotetora, as vezes acho que ela vai me sufocar de tanta bajulação. Meu pai já é mais descolado, não pega muito no meu pé. As vezes sinto-me estranha... não sei. Não é fácil minha mãe a todo tempo Aline daqui, Aline dali. Sinto falta disso no meu pai talvez se ele me sufocasse tanto quanto minha mãe, eu não me sentiria da mesma forma. Xiiii... acho que tô meio carente de amor de pai...

Vida de adolescente não é fácil não. Escola, festa de quinze anos, tem o Paulinho – aquele gato! Ah se ele soubesse um pouco de matemática para me ensinar. Pobrezinho o que tem de bonito tem de burrinho (rs). Aff, o nono ano era tudo tão mais fácil. As matérias, os professores, até os bonitinhos eram inteligentes... tinha o... ai como era mesmo o nome dele. Puxa que memória Aline! Namorei ele três meses e nem lembro do nome. Ah, era Kaique.

Bom voltando à bendita prova de matemática, essa matéria tão empolgante, que eu tanto odeio, acho que vou me dar muito mal na prova. Meu pai bem que podia ter ficado comigo estudando um pouco ontem à noite. Mas como sempre ele estava cansado. Que novidade. Não é hora de lamentar, vamos logo senão vou me atrasar.

A primeira aula começou diferente hoje. A professora de português faltou e adivinha só... tivemos aula de matemática com um tal de professor Marcelo. Interessante como ele resolveu aquele problema... hum isso me fez pensar um pouco. Como era mesmo?

“João tem quatro anos a mais que seu amigo Pedro. Sabendo que as idades de João e Pedro somam 30 anos, qual a idade de cada garoto?”

Se eu chamar o Pedro de x, então João será x+4... Hum... O Paulinho está me paquerando... e... o Fernando?!?!?!?!? Volta Aline, volta!

As idades do Pedro e do João somadas dão 30, então... Intrigante o Fernando continua me olhando...

- Oi, você precisa de ajuda para resolver esse problema – disse Fernando.

- É... não, quer dizer acho que não. Já estava concluindo, fica assim né:

x+x+4=30, então 2x = 30- 4, e x = 13.

Isso, isso. Consegui... consegui. Na empolgação, não é que dei um beijo na bochecha do Fernando. Ele ficou vermelho na hora e eu, meio sem graça, continuei...

Se eu chamei o Pedro de x, então a idade dele é 13 anos e, por conseqüência, o João tem 17 anos.

- Isso mesmo – disse ele. Você parece ser muito boa em matemática.

- Você que pensa. É que esse professor... como é mesmo o nome dele?

- Marcelo!

- Isso mesmo. Ele me fez pensar de uma maneira diferente. Pena que isso não cai na prova de hoje. Vou me lascar!

- Eu te ajudo, se você quiser, é claro!

- Acho que sim, digo, mas a prova é logo depois do intervalo!

- Estudamos no intervalo então.

- Ah, esqueci... não vai dar – estúpida Aline, estúpida. Perdi a chance de estudar e... sabe ele até que era bonitinho.

- Tudo bem. Fica para a próxima então.

- Ok.

A segunda e a terceira aulas eu nem percebi passar. Tinha tanto sono que acho até que eu adormeci com os olhos abertos. A aula de história seria a última antes do intervalo e eu teria dormido também, não fosse pela pérola que a Camila soltou.

- Professor, que dia cai a Páscoa este ano?

- Dia 24, Camila.

- Não professor! O dia da semana!

Foi difícil segurar o riso e a bagunça tomou conta da sala.

- Camila, a Páscoa se comemora sempre aos domingos. Alias falando nisso alguém aqui sabe como é calculada a data da Páscoa?

Foi suficiente para que o silêncio tomasse conta da sala novamente. Ele continuou:

- O Concílio Geral de Nicéia, em 325, determinou que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte à primeira Lua cheia após o equinócio da primavera do Hemisfério Norte, que ocorre no dia ou depois de 21 março. E ...

O final da aula foi decretado pelo sinal que soou às 10:10 em ponto. Enfim era intervalo e eu teria algum tempo para reorganizar minhas idéias. Ainda havia esperança de me sair bem na prova de matemática. Bastava para isso que eu conseguisse ficar acordada.

O intervalo foi um inverno, parecia não ter fim. As meninas não paravam de me alugar por causa do Fernandinho – eca já estou chamando ele no diminutivo. Sorte a Camila ter dado aquele furo na aula. Assim as atenções ficaram um pouco divididas. Mas ela estava tão caladinha coitada.

Logo o sinal soou novamente e me deu um frio na barriga. Não sabia se chorava por causa da prova que estava para começar ou se festejava o fim daquela humilhação.

Subimos vagarosamente para a sala, mais até do que o normal. Cada degrau parecia uma eternidade. Na sala, sentei-me e fechei os olhos e já me preparava para o pior. Mas para nossa surpresa ali estava ele novamente. O professor de matemática havia faltado, também, e o professor Marcelo entrou na sala anunciando que a prova estava cancelada. Dá pra imaginar dia de jogo do Corinthians e Palmeiras, 45 minutos do segundo tempo e... Gooooolllll do timão, o gol da virada. A sala ficou mais ou menos igual à torcida do glorioso timão.

Eu, confesso senti um alívio. Afinal meu problema estava adiado, pelo menos teria mais um tempinho para estudar.

Quando a última aula terminou e eu seguia para casa, dois pensamentos não saiam da minha cabeça. Aquele professor tinha mexido comigo. Ele conseguiu me convencer que matemática poderia ser divertido. E o pior era que eu não parava de pensar naquele problema e de como foi fácil resolvê-lo. Imaginei como seria bom se meus dias de guerra contra a matemática estivessem chegando ao fim. Ah, e o Fernandinho até que era fofo... acho que faríamos um par perfeito.

Um comentário:

  1. Esse professores sempre povoando a cabeça dos alunos...
    E quando aproveitam esse encantamento natural, para aprendizagem, de ambos, é claro, professor e aluno,a gente pode afirmar que estão no caminho certo!
    Essa Aline ainda vai dar trabalho...Sei não, sinto cheiro disso..
    Bjus

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